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Como apresentar sua pesquisa em inglês num congresso

Escrito por Maryke

Você passou meses, às vezes anos, em uma pesquisa. Conhece cada detalhe do método, cada limitação, cada resultado que quase não saiu. E, de repente, tem dez minutos para contar tudo isso em inglês diante de pessoas que nunca viu.

A boa notícia: ninguém espera que você conte tudo. Quem assiste a uma apresentação quer entender uma ideia e decidir se vale a pena conversar com você depois. Este texto mostra uma estrutura para isso, e algumas frases que ajudam a atravessar a parte mais temida: as perguntas.

Comece pelo que importa, não pela história do projeto

O instinto de quem pesquisa é começar pelo começo: o contexto, a revisão da literatura, a motivação. Em português isso já cansa. Em inglês, para quem ainda está ganhando confiança, vira um muro de frases longas.

Inverta a ordem. Diga primeiro o resultado, depois como chegou até ele. Uma abertura simples:

"Today I'll show you how we reduced processing time in half, and why this matters for small laboratories."

Repare no desenho dessa frase: o que fizemos e por que importa, em uma só respiração. Se o público só lembrar disso, já valeu.

Uma estrutura em quatro blocos

Para apresentações curtas, quatro blocos bastam. Cada um pode ser dito em poucas frases.

  • O problema. "The problem is that…" Uma frase, no máximo duas.
  • O que você fez. "We tested…", "We compared…", "We built…". Verbos no passado, curtos.
  • O que você encontrou. "We found that…", "The results show that…". Aqui entram os números do slide, não todos.
  • O que isso muda. "This means that…", "The next step is…". É o bloco que as pessoas levam para casa.

Escreva cada bloco em frases que você consegue dizer de memória. Não decore um texto inteiro: decore a ordem e algumas frases de ligação. Quem decora o texto todo trava quando esquece uma palavra; quem decora a ordem continua.

Frases de ligação que salvam a apresentação

Você não precisa de vocabulário sofisticado. Precisa de poucas expressões que avisam o público para onde você vai.

  • "Let me start with the background."
  • "Now, let's look at the results."
  • "As you can see in this graph…"
  • "What is interesting here is…"
  • "To sum up…"

Pratique dizendo essas frases em voz alta, olhando para o slide. A fala ganha ritmo, e você ganha um segundo para pensar no que vem a seguir.

Fale dos números com calma

Números são o ponto em que muita gente erra a pronúncia e perde a confiança. Combine com você mesmo duas regras:

  • Diga o número devagar e aponte para ele no slide.
  • Repita a unidade: "ten milligrams per liter", "a difference of two percent".

Se tiver dúvida sobre como se diz um número ou uma unidade, escreva a pronúncia ao lado do slide nas suas anotações. Ninguém verá, e você vai se sentir muito mais seguro.

As perguntas: o que fazer quando você não entende

É o medo mais comum, e tem solução prática. Primeiro, você pode, sim, pedir que repitam. Ninguém interpreta isso como fraqueza.

  • "Could you repeat the question, please?"
  • "Sorry, I didn't catch the last part."
  • "Do you mean the sample size or the method?"

Essa última é a mais poderosa: ao reformular a pergunta, você mostra que está pensando e ganha tempo.

Quando você não souber a resposta, diga com naturalidade:

  • "That's a good question. We haven't tested that yet."
  • "I don't have that data here, but I'd be happy to discuss it after the session."

Dizer o que a pesquisa ainda não responde faz parte de falar como pesquisador. Passa mais credibilidade do que tentar improvisar.

Como ensaiar de forma que funcione

O ensaio mais útil não é o silencioso, na cabeça. É em voz alta, com tempo marcado e, de preferência, com alguém que faça perguntas.

  • Ensaie a abertura até ela sair sem pensar. As primeiras frases definem o seu nervosismo.
  • Grave um áudio no celular e ouça uma vez. Procure os trechos em que você acelera: ali costuma haver uma palavra difícil que merece atenção.
  • Peça a alguém para fazer três perguntas que você teme. Responda em inglês, mesmo que a resposta saia imperfeita.

O que levar para o dia

Uma folha com a ordem dos quatro blocos, as frases de ligação e a abertura escrita por extenso. Não o texto inteiro. Se você travar, respire, olhe para o slide, diga uma frase de ligação e siga.

Falar bem em inglês num congresso não é falar sem erros. É ser claro sobre o que você descobriu e deixar o público com vontade de conversar com você depois.

Se quiser ensaiar a sua apresentação com uma teacher que entende de pesquisa, a aula experimental é um bom lugar para começar.